Mas, em vez de ficar com receio de ser substituído por um robô (o que em muitos casos é uma hipótese real), é muito melhor identificar e desenvolver as habilidades do futuro. As qualidades, os talentos e as competências que serão cada vez mais valorizados nas empresas.

A automação dos processos e a incorporação de sistemas inteligentes tirou muito trabalho operacional das mãos de profissionais. O economista Cristopher Pissarides afirma que “estamos vendo provavelmente uma das maiores mudanças no mercado de trabalho. E a razão é a mudança de estrutura da economia.”

Estamos nos distanciando da manufatura tradicional e da indústria de serviços como as conhecemos. Já falamos aqui sobre a Economia 4.0 e seus desdobramentos na sociedade. A era cognitiva, impulsionada por inovações tecnológicas, automação e inteligência artificial, permite um nível de colaboração jamais visto. Agora, não importa o que um profissional sabe, mas o quão rápido ele consegue aprender.

O sobe e desce das habilidades

A consultoria McKinsey elaborou um estudo que apresentou uma projeção interessante: quais são as qualidades que estarão em alta, e aquelas que serão cada vez mais obsoletas. Nos Estados Unidos, as horas trabalhadas em tarefas físicas ou manuais terão uma redução de 14% até 2030. Movimento parecido acontece com tarefas que requerem habilidades cognitivas básicas. Ambas as habilidades são facilmente substituídas por automação já hoje em dia.

O que estará em alta são habilidades cognitivas avançadas, com crescimento de 8%, habilidades sociais e emocionais, com aumento de 24%, e, por fim competências tecnológicas, com alta de 73%.

Habilidades sociais e emocionais

Enquanto empatia é uma qualidade que muitos acreditam já nascer com o indivíduo, há um universo de habilidades que podem, sim, ser ensinadas e aprendidas. Por exemplo, as chamadas soft skills, como capacidade de comunicação, adaptação e gestão do tempo. Leia mais sobre as soft skills e como elas ganharam importância nas empresas.

Habilidades cognitivas avançadas

Criatividade, solução de problemas de formas inovadoras, pensamento sobre pressão e tomada de decisão de uma forma geral: essas skills ainda estão longe de serem desempenhadas por computadores. Assim sendo, não há dúvida de que estarão entre as habilidades do futuro valorizadas por empresas.

Habilidades tecnológicas

Como uma extensão da capacidade de se adaptar, o desenvolvimento de habilidades digitais é fator de sobrevivência no mercado de trabalho. E quando estamos de olho em cargos técnicos, a evolução do conhecimento deve ser constante. Não basta se formar em um curso de determinada linguagem de programação. É preciso combinar conhecimento e principalmente se atualizar para não se tornar um técnico obsoleto.

Já abordamos aqui no blog a importância das competências digitais. Se você ainda não leu, confira e descubra se você e sua equipe são utilizadores básicos, intermediários ou avançados de tecnologia.

Como fica na sua empresa?

Se você já está olhando para a sua equipe imaginando uma demissão em massa, espere um momento. Essas transformações não implicam necessariamente a redução de pessoal, mas sim uma profunda reorganização. No estudo da McKinsey, 77% dos entrevistados da Europa e Estados Unidos não esperam mudar o tamanho do seu quadro de funcionários. Isso considerando a adoção de inteligência artificial e outras tecnologias disruptivas. Essas mudanças demandam um redesenho dos processos e foco nos talentos que a empresa possui – e os talentos que ela precisa.

4 ações para desenvolvimento de habilidades do futuro na sua empresa

1. Reciclagem

Uma das grandes vantagens de treinamento é que a experiência interna é valorizada e a cultura da empresa é preservada. Ciclos de palestras, materiais educacionais e estímulo à busca de conhecimento são caminhos para a transformação. A partir daí, para conhecimentos técnicos de TI, por exemplo, vale uma parceria com uma instituição de ensino para disponibilizar cursos para membros chave da equipe. Coaching funciona muito bem para desenvolvimento de habilidades emocionais, estimulando o trabalho em equipe, a colaboração e a criatividade.

2. Remanejamento

Uma reorganização dos funcionários e a recolocação de talentos não é novidade. Nada mais natural do que oferecer oportunidades àqueles que estão dispostos a incorporar habilidades do futuro.

Comece identificando pretensões e qualidades prévias não exploradas nos atuais cargos. Um novo analista com forte capacidade de inovação pode surgir virtualmente de qualquer área da empresa. E não estamos falando apenas de trocar peças internamente, mas de criar novos cargos que não estavam no organograma original. Afinal, o remanejamento não é uma oportunidade apenas para os funcionários, mas também para a evolução dos processos da sua empresa.

3. Contratação

Se todas as empresas recorrerem exclusivamente a essa ação, a força de trabalho disponível certamente será insuficiente. Mas a contratação de novos talentos para suprir necessidades da organização é uma medida muito eficiente. Neste artigo, falamos um pouco sobre como atrair esses talentos, e principalmente retê-los. Trata-se de um conjunto de atrativos que começam invariavelmente com o propósito da empresa, a autonomia que será oferecida e as possibilidades que o trabalho poderá gerar.

4. Terceirização

Aqui se enquadram contratações de empresas, freelancers, consultores ou técnicos para compor equipes temporárias. Essa medida explora de maneira positiva a flexibilização no mercado de trabalho relacionada à chamada gig economy. Se você não está familiarizado com o termo, vale a leitura sobre como essa tendência está crescendo e afetando os negócios.

Basicamente, trata-se de modelos alternativos de contrato, como trabalho por horas, home office, equipes remotas e/ou híbridas – com funcionários “da casa” e parcerias recorrentes. Se, por um lado, a empresa pode perder em propriedade intelectual, ganha em agilidade para se equipar com as skills necessárias. Esse movimento impacta também no desenvolvimento de competências da própria equipe interna, que entra em contato com profissionais alinhados com as habilidades do futuro.

Automação e desenvolvimento de habilidades

A automação faz com que o futuro do trabalho seja cada vez mais humano, repleto de criatividade e estratégia. Para reforçar e, em alguns casos, despertar esse lado humano de cada profissional, é preciso tirar da sua equipe tarefas que possam ser automatizadas e executadas por sistemas inteligentes.

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Fonte: Blog Runrun.it (https://blog.runrun.it/habilidades-do-futuro/)